Características e Especificações

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Características :

  • Fixação pelo canote ou pela ponta esquerda do eixo traseiro da bicicleta.
  • Graças ao par de traves ela pode assumir três comprimentos de plataforma. (0,6m, 1,1m ou 1,6m)
  • Ela pode ser usada como um carrinho de mão quando removido o braço extensor.
    Há três formas de transportar uma pessoa: sentada, sentada com as pernas esticadas e deitada, dependendo de como as traves estiverem configuradas.
  • Sua plataforma dá suporte a 1 ou 2 cavaletes para carregamento de bicicleta.
  • Carregue compras, ou itens soltos na caixa formada quando as duas traves estiverem presas na posição vertical.
  • Use a borboleta com criatividade, ela pode ser uma estação de trabalho, carregue as mais diversas coisas e fique livre para fazer adaptações que precisar, já que a estrutura é de aço e aceita solda comum.
  • Os parafusos, porcas, e o conjunto da rodas (20″) são padrões.
  • Procuramos conceber os mecanismos de engate, de ajuste e de fixação simples e funcionais.

Especificações :

  • Comprimentos: 60cm; 1,1m (com uma trave deitada) e 1,6m (com as duas traves deitadas)
  • Largura interna da plataforma: 41cm
  • Peso: 10,5kg à 13kg dependendo da configuração
  • Capacidade estática da estrutura: 80kg
  • Rodas padrões aro 20″
  • Material: aço SAE 1020

Fotos da Kipepeo

Amigos, esta é a kipepeo que fizemos na Africa, com as dimensões adequadas para uso no Quênia:

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Esta foi feita de aço, as próximas poderão ser feitas de madeira reforçada com aço no lar de crianças Amani que fica em Mutumbu! Para ler a história completa do projeto, por favor, clique aqui.

Wabi-sabi

Alguns PRINCÍPIOS DE DESIGN foram aplicados à borboleta. Estamos estudando sobre eles. À medida que formos percebendo a presença deles no projeto ou à medida que os formos incorporando os citaremos aqui, transcrevendo como estão escritos nos livros ou nos sites, blogs e explicando como foram aplicados na borboleta e na kipepeo:

Wabi –Sabi

Wabi-sabi é um conceito amplo que se aplica a forma como percebemos a beleza na vida, nas coisas, nas pessoas, na natureza e por fim nas criações do homem sejam num produto ou na arquitetura de uma casa.

Wabi refere à beleza atingida graças a uma sutil imperfeição nas coisas, como um vaso de cerâmica que reflete as nuances do trabalho manual de um homem. E Sabi se refere à beleza que vem com o tempo, como a patina em objetos antigos de madeira, cobre, etc.

Existe uma admiração com mais significação quando um objeto ou ambiente tem mais naturalidade, simplicidade e imperfeições sutis como a natureza é na verdade.

Materiais como madeira requerem do artesão um entendimento de que a madeira nem sempre se comporta de maneira uniforme e nem sempre o acabamento será o mesmo, é algo mais orgânico, não há duas árvores iguais na natureza, e alguns materiais ensinam isso ao artesão e passam essa mensagem quando expostos aos outros.

Wabi-sabi entende a assimetria de formas orgânicas e a perecibilidade de materiais naturais.

Algumas das coisas aprendidas no Quênia foram as vantagens econômicas e sociais do uso da madeira para fazer a kipepeo. Após conhecer esse conceito chamado wabi-sabi entendi que se um carpinteiro fizer com carinho a estrutura e se ela for adequada para as solicitações etc. mesmo não durando tanto quanto o aço ela será bem querida e as pessoas vão admirar o fato de cada peça ter uma textura e cor ligeiramente diferentes.

Quando aprendi a dar atenção as coisas usadas passei a ver beleza na idade e no trabalho manual de um homem que repara as coisas. The things get old, but this is beautiful, isn´t it?

Wabi-sabi

“Objects and environments that embody naturalness, simplicity, and subtle imperfection achieve a deeper, more meaningful aesthetic.

Wabi-sabi is at once a world view, philosophy of life, type of aesthetic, and, by extension, principle of design. The term brings together two distinct Japanese concepts: wabi, which refers to a kind of transcendental beauty achieved through subtle imperfection, such as pottery that reflects its handmade craftsmanship; and sabi, which refers to beauty that comes with time, such as the patina found on aged copper. In the latter part of sixteenth-century Japan, a student of the Way of Tea, Sen no Rikyu, was tasked to tend the garden by his master, Takeno Jo-o. Rikyu cleared the garden of debris and scrupulously raked the grounds. Once the garden was perfectly groomed, he proceeded to shake a cherry tree, causing a few flowers and leaves to fall randomly to the ground. This is wabi-sabi.

In many ways, the primary aesthetic ideals of wabi-sabi – impermanence, imperfection, and incompleteness –  run counter to traditional western aesthetic values. For example, Western values typically revere the symmetry of manufactured forms and the durability of synthetic materials, whereas wabi-sabi favors the asymmetry of organic forms and the perishability of natural materials. Wabi-sabi should not, however, be construed as an unkempt or disorganized aesthetic, a common mistaken association often referred to as wabi-slobby. A defining characteristic of wabi-sabi is that an object or environment appears respected and cared for, as with Rikyu´s garden. The aesthetic is not disordered, but rather naturally ordered – that is, ordered in the way that nature is ordered, drawn of crooked lines and curves instead of straight lines and right angles. With the rise of sustainability movement, Western ideals have begun to evolve toward wabi-sabi, albeit for different reasons. A home interior designed to be wabi-sabi would be clean and minimalist, employ unfinished natural materials such as wood, stone, and metal, and use a pallete of muted natural colors (e.g., browns, greens, grays, and rusts). A home interior designed to be sustainable would also employ many of the same natural materials, but the emphasis would be on their sustainability and recyclability, not their aesthetics. “

Retired from the page 256 of the book: Universal principles of design : a cross-disciplinary reference / William Lidwell, Kritina Holden, and Jill Butler

Talvez a perfeição esteja na imperfeição.

Se temos a visão perfeita ou não, não importa, andamos juntos!

Cegos e pessoas que podem ver fizeram um passeio ciclístico juntos no Pq. Villa Lobos, a energia foi muito positiva.

Uma pessoa que pode ver andou com uma que não pode em bicicletas tandem.

Márcio Campos e uma senhora

O evento foi organizado pela ABRAG – Associação Brasileira dos Portadores de Glaucoma e foi a segunda edição.

O amigo Gatti levou a borboleta que foi usada de duas formas interessantes, uma senhorinha passeou com a amiga Aline Cavalcante:

E o cinegrafista foi rebocado para filmar o evento de um ângulo diferente :

O Glaucoma é a principal causa tratável de cegueira irreversível no mundo, cuide de você e dos teus próximos!

História da borboleta com fotos Parte 3/3 (compartilhando a ideia)

Esta é uma história que quero contar à minha família, aos amigos distantes, do dia a dia, aos contatos profissionais, aos setores de bolsa de estudo de universidades, às pessoas recém conhecidas, aos italianos, aos holandeses e aos quenianos que fiz amizade, acima de tudo, aqueles que querem saber como a borboleta surgiu e se transformou,  com uma liguagem só, adequada para todos.

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Já estava em junho de 2010 e cansado de trabalhar sozinho na ideia, queria compartilhar as tarefas, medos e sonhos.

Fiz amigos de uma empresa e coloquei a ideia para participar de um concurso de design.

A empresa Altmayer de SC sob liderança de Ney Altmayer especialista em trabalhos com tubo e acredito a primeira a fazer um reboque para bicicleta no Brasil me recebeu muito bem para ouvir minha história, trabalhamos juntos por uns dois meses, ajudei-os com alguns desenhos e eles hoje produzem o modelo baseado no protótipo 8. (3 protótipos foram feitos para se achar uma alternativa comercialmente e tecnicamente compatíveis).

Marcelinho e William na área de montagem da Altmayer

Em junho de 2010, quando o protótipo 5 era o mais avançado fiquei sabendo de um concurso promovido pela organização Cycling out of Poverty chamado African Bicycle Design Contest com o intuito de escolher e melhorar uma ideia para ajudar os ciclistas no Quênia. Fiquei muito feliz e submeti as últimas três fotos do capítulo anterior dessa história (dentre outras) com explicações sobre a flexibilidade do reboque.

borboleta carregando as flores

Eles escolheram a borboleta para ser aprimorada por um grupo de estudantes de Delft-Holanda. O trabalho foi escolhido por um juri composto por especialistas em mobilidade e sustentabilidade da Europa e Africa (dentre eles Luud Schimmelpennink) e eu pude me juntar ao grupo na cidade de Kisumu no Quênia para compartilharmos ambas as versões, a que foi adaptada pelo grupo e a que desenvolvi no Brasil com ajuda da Altmayer e todos os amigos que deram seus conselhos.

Plano das bicicletas brancas começado por, dentre outros Luud Schimmelpenninck. White bike plan started by, among others, Luud Schimmelpenninck.

Primeiro trabalhamos com a oficina Cycling Blue que pertence à organização citada, depois os estudantes tiveram que retornar aos seus países de origem e eu quiz ficar mais um pouco (53 dias), acabei fazendo muitos outros amigos e plantando com alguns deles a semente da kipepeo (borboleta) em terras super-férteis: sugiro antes fazermos uma PAUSA PARA UM PEDAÇO DE PÃO

visitando o mercado de metais em Obote Road

Estudantes de Delft, Rianne Houba e Jan Ustohal e eu.

No Quênia entendi que a madeira é um material democrático, pois, seu preço e oferta são fatores locais, não dependem muito do governo, assim, mais pessoas têm acesso a essa matéria-prima. Vi mais carpinteiros do que serralheiros nas cidades pelas quais passei, e os carpinteiros que conheci são talentosíssimos, a exemplo o Sr. Samuel Onyango, eles usam poucas máquinas e mais trabalho manual, estimulando sua criatividade, a madeira tem essa outra vantagem, não requer muitas ferramentas especiais.

Mr. Samuel

Sr. Samuel irá produzir a versão do reboque kipepeo de madeira reforçada com aço e deu boas dicas de como trabalhar com o eucalipto para fazer estruturas.

Mr. Samuel fazendo um sofá em casa num dia de feriado.

Depois conversando com David, meu amigo que é filho do Sr. Samuel, chegamos à conclusão de que o eucalipto poderia ser usado no Brasil também para se construir móveis e outros produtos com qualidade, aplicando-se as devidas técnicas para não rachar e durar. David é um rapaz brilhante que tem várias ideias, a exemplo um biodigestor, ele escreve suas letras musicais, e sabe ouvir as pessoas. Foi uma das pessoas que me aconselhou por lá, fico feliz em ele ter acreditado na ideia e se interessado por tocá-la adiante, há ainda muito que se aprender com a família do David e ideias a compartilhar. Sua mãe faz o melhor chapati com feijões de Arina.

David e família

Mostrando os desenhos da kipepeo a David

Nota acrescentada depois: Hoje 29 de outubro recebi notícias do David, ele está trabalhando com o pai e construindo suas ideias novas.

David escrevendo uma música

David mostrando um reservatório de água somente possível com a transformação da tampa que antes era selada e contava apenas com dois orifícios.

David mostrando um reservatório de água somente possível com a transformação da tampa que antes era selada e contava apenas com um orifício.

Pude compartilhar a ideia com dois carpinteiros que trabalham juntos em Nyamasaria, vilarejo vizinho de Arina, Ibrahim e Felix receberão em breve pelo correio os desenhos da versão em madeira e aço.

À esquerda Juakali de Nyamasaria. À direita mercado e casas de Nyamasaria

Senti que na Itália e na Holanda uma versão elegante de madeira, bem acabada, barata e com as devidas proporções adaptadas para carregar engradados e caixas locais seria bem aceita pelos usuários de bicicleta, por isso e pelas razões percebidas no Quênia, que se aplicam a todos os lugares, decidi fazer uma versão de madeira com pontos reforçados em aço para testar no mercado brasileiro e quem sabe exportar a ideia a Europa, a versão de aço (amarela) continua disponível por aqui.

Músico em Amsterdam indo para casa com seu contrabaixo em seu reboque.

Philip Olum é um homem que tem diversas habilidades, serralheiro, agricultor, pescador, avicultor, açougueiro, conselheiro dos projetos da comunidade e estudante e inventor de novas ideias que possam ajudar a vida prática local. O conheci através da oficina Cycling Blue, sabia que ele havia ajudado os estudantes no projeto Bike4care e quiz aprender muito com ele e com suas ideias, dotado de uma criatividade fora do comum ele fez um biodigestor giratório e quer coletar o gás metano para cozinhar, ele quer espalhar essa ideia por lá, entre as famílias.

Um dos projetos em que Mr. Philip trabalha, o biodigestor.

Numa tarde eu demonstrei os usos da borboleta a ele. Como dispôr as traves para os diversos usos, e ele teve a ideia magnifica de como montar uma cadeirinha que agora contava com encosto para o passageiro e ainda era possível guardar uma bolsa ou outro pertence embaixo do assento! Não é demais? E isso sem precisar de nenhum acessório. Mr. Philip é dono de parte da ideia da borboleta agora, se vender as borboletas aqui quero ajudá-los a produzir lá por esse e outros motivos que serão compreendidos adiante.

Moses sendo carregado na kipepeo de acordo com a sugestão de Mr. Philip.

Mr Philip e eu nos tornamos amigos, apresentei-o a David para que trabalhassem juntos na ideia do bio-digestor, fomos pescar no lago Vitória de noite junto com hipopótamos! Compartilhei com ele o sonho de fazer uma oficina comunitária na qual pessoas de fora e locais pudessem trabalhar em ideias que resolvessem problemas práticos do dia-dia de pessoas que vivem de maneira simples, alguns problemas são típicos em qualquer lugar do mundo, como a questão do lixo e como tratamos os dejetos do banheiro, se utilizamos para fazer adubo ou não, ideias que antes ficavam só no pensamento por falta de um local que fosse receptivo, pessoas com quer trocar essas ideias, conhecimento ou dinheiro para pô-las em prática, se todos se unem as coisas acontecem de forma mais harmoniosa, e o dinheiro que é um problema para todos nós seria algo quase irrelevante comparado a vontade de realização que é o ingrediente principal.

Tarde chuvosa de conversas na casa de Mr. Philip.

Juakali significa Sol escaldante, muitos homens trabalham ao ar livre com metais e madeira e consertando e criando diversos objetos. Dentre eles, conheci o serralheiros Sr. Joseph Obonyo Okumu e o irmão de uma senhora que conheci no ônibus chamado Joseph Owuor. A maioria destes profissionais por não ter acesso a pessoas que consertem suas máquinas de solda ou peças sobressalentes que custam muito acabam aprendendo seu funcionamento e consertando-as eles mesmos, é o caso de J. Okumu, que me mostrou uma máquina de solda cuja corrente elétrica é regulada dando-se voltas na bobina com o fio, ou seja, ele conhece o princípio por trás de um transformador.

Joseph Okumu, serralheiro que entende o funcionamento de sua ferramenta de trabalho principal, a máquina de solda.

Os Srs. J. Okumu e J. Owuor ficaram com os desenhos da versão em metal para fazê-la no momento em que lhes for conveniente, sabendo que a nova versão de madeira contém reforços de aço eles poderão ajudará da maneira que puder os carpinteiros com tais reforços ou caso a versão de madeira não dê certo eles poderão retomar a versão de metal e construir seus protótipos. Mesmo não sendo carpinteiros vou lhes enviar os desenhos da versão de madeira, com certeza eles têm amigos carpinteiros.

A oficina comunitária da qual falei receberia ideias e seria frequentada pelo pessoal de Juakali, mas contaria também com máquinas de costura, laboratório de eletrônica, e outros profissionais de outras áreas para enriquecer o conjunto.

Fiquei morando em Nyamasaria com Maurice, um amigo que se esforça ao máximo para trabalhar e poder estudar economia na Universidade de Nairobi em Kisumu, ele levanta todos os dias, prepara o café e passa suas calças e camisa antes de ir trabalhar, o projeto da kipepeo (borboleta) ou o da oficina comunitária dando certo tenho certeza de que ele terá um papel chave na organização e administração disso tudo.

O ferro era compartilhado por Mike, Moses e Maurice. Além de se preocuparem em vestir roupas não amassadas eles compartilhavam as coisas como numa família.

Perto de Nyamasaria conheci um sapateiro chamado Moses Achola, ele fez um saco de dormir para mim com um cobertor pois pretendia escalar o mount Kenya, infelizmente fiquei gripado e não pude ir, fica para a próxima! Mr. Moses é bem querido pela comunidade local, ele apresenta as pessoas com afinidades em comum e que poderiam trabalhar juntas para fazer um serviço mais rápido e melhor, ele gostou da ideia da kipepeo e eu deixei um desenho com ele e com outros amigos feitos por lá (como os carpinteiros Féliz e Ibrahim), infelizmente não tive tempo para trabalhar mais com eles, mas da próxima vez vamos trabalhar mais tempo juntos em ideias que tenham vida própria e que façam todos prosperar, e dessa vez eu o apresentarei, ao David ao Mr Philip e todos os outros.

Dentre os amigos que fiz estão Evance que conheci no Trade ministry e Derick. Evance teve uma infância dura, sem muita perspectiva e uma juventude sem muitas possibilidades de escolhas, ele me contou que estava triste no dia em que Deus lhe mostrou um caminho, ele reconheceu no lixo uma possibilidade de fazer arte, as pessoas da comunidade passaram a vê-lo diferentemente, ele ajudou a fundar um centro chamado KICK em Kisumu que dá perspectiva a jovens e lhes ensina como fazer arte com lixo e belos souvenirs que são belos e elegantes. Pedi alguns conselhos a Evance sobre como seria a forma melhor de tocar o projeto da kipepeo avante, ele me apresentou Derick que apesar de ter apenas 14 é maduro e inteligente, Derick me deus vários conselhos e assim como os outros amigos pôde me ouvir. O conselho que Evance me deu foi mais ou menos assim “se você quer fazer teu projeto seguir adiante e ser feito por aqui, após encontrar um lugar que sinta que as pessoas gostaram da tua sugestão de ideia, foque em um grupo pequeno de pessoas para passar os detalhes da ideia, elas serão responsáveis por depois, sensibilizar e ensinar o resto do grupo”. Agora tenho que interromper para dizer o que aconteceu na véspera e depois você entenderá que tudo está relacionado. Eis uma foto em KICK:

Em Kisumu e em várias outras cidades o relevo é plano e as pessoas usam muito a bicicleta.

Eu estava numa lan house procurando escrever para minha família e amigos, meu vizinho de computador era um senhor chamado Mr. Sam Mayienga, fizemos amizade após tê-lo ajudado com o pen drive que não encaixava no encaixe meio torto. Ele falou com tanto entusiasmo sobre um lar de crianças órfãs que ele ajuda a cuidar que senti que ficaria feliz naquele lugar, e ele completou dizendo que havia uma galpão em que eu poderia trabalhar se quisesse, talvez ele tenha percebido que eu estava meio cabisbaixo aquele dia, e era justamente o que procurava, um lugar que pudesse compartilhar minha ideia e ser valorizado.

Decidi ir naquele final de semana para conhecer as pessoas e sentir o clima do local. Um lugar especial, chamado Amani que realmente significa paz, as crianças me receberam como um irmão, e saí de lá no último dia para retornar ao Brasil como um irmão que foi fortalecido por ter estado entre a família.

Da esquerda para a direita. 1ª fila: Scovia, Vivian; 2ª fila: Martin, Lavender A., Lavender W., Millicent, Juliet; 3ª fila: Gloria, Carrene, Janet (matron); 4ª fila: prof. Agness, Cathreen, Victor O., Melissa (mãe), Rebecca (amiga), Sam (pai), Festus (amigo), prof. Samuel; 5ª fila: Emmanuel, Felix, Henry, Victor W., Celestine, David Okoth, Elizabeth, Charles, Frank, Christine, Nicholas, Sharon, Kevin, Juliano

As crianças que vivem em Amani, em Mutumbu-Quênia, brincam, rezam, trabalham, estudam, dançam, encenam uma peça teatral etc. resumindo, vivem intensamente. Baba Sam, Madam Melissa, matron Mary, matron Janet, Teacher Kevin (professor de computação resp. pela educação de assuntos próprios dos rapazes) são as pessoas que administram o lar, as matrons cuidam de todos e orientam as meninas. Eles e as crianças vivem em um lar em contato com a natureza, animais e seus filhotes, bananeiras e pés de maracujá.

Eles dançam e encenam.

Foi um lugar em que me senti em casa, passei um final de semana. Na segunda vez que voltei lá depois de uma semana para ficar mais três dias, levei comigo David, a borboleta amarelinha que trouxera do Brasil, e uma morsa que daria de presente junto com a borboleta, não havia lugar melhor para dar estes presentes, eles além de serem hospitaleiros e de coração aberto, carregam constantemente lenha e sacos de maize (milho branco).

Depois de conviver com eles, conversando com Madam Melissa, esposa do Baba Sam, chegamos a conclusão que seria extraordinário se o orfanato pudesse construir as carretinhas e vender para os vilarejos vizinhos, e quem sabe para outros países da Africa, Baba concordou e disse que poderia ajudar pois conhece de desenho técnico. Eu os apresentei a David cujo pai Mr. Samuel vai poder ajudar na versão de madeira e que sabe trabalharão todos juntos, David assim como eu adorou as pessoas do orfanato e eles se deram bem.

Explico porque dei uma morsa de presente a eles, Baba disse que uma visitante inglesa ao partir dera de presente uma máquina de solda, não colocaria a maquina embaixo de uma árvore ou dentro da cozinha, ele por entender que era um presente de Deus fez a sua parte e construiu com o pessoal um pequeno galpão em três dias e puxou a eletricidade para acolher a máquina de solda. Como todos sabem a morsa é a ferramenta mais importante de uma oficina mecânica, mas sem uma bancada ela é inútil, então Baba ao receber a morsa disse que agora terá a tarefa de construir uma bancada. Fiquei feliz em ter tido a ideia de dar um presente que os motivará a construir algo que permitirá construir mais coisas.

Baba explicando o funcionamento da morsa.

Deixei com eles também os desenhos da kipepeo de aço que fiz na oficina Cycling Blue, mas disse que acredito mais na versão de madeira reforçada com aço que testaria no Brasil e que enviaria por correio os desenhos e o protótipo se não for muito caro. Se a versão de madeira não der certo eles podem tentar a de aço, mas sei que a de madeira dará certo, será mais barata aqui e lá e vai fazer um sucesso, só preciso pensar como eles vão fazer para terminar a oficina, as ferramentas que faltam. Vou fazer uma lista com as ferramentas que acredito serem necessárias para fazer a carretinha de madeira, isso os orientará na busca por tais ferramentas e também pessoas interessadas em doar tais ferramentas. Não é nada muito extenso. Coloco em seguida no fim desse post.

Com um pouco de tempo e sorte, tenho certeza que eles completarão a oficina com as ferramentas que faltam, e farão lá uma escolinha para os jovens órfãos e pessoas interessadas em aprender a trabalhar com madeira e aço. Essa escolinha que poderá se chamar Amani Technical School poderá ser a base da ideia que eu citei lá em cima junto com o Mr. Philip e o Maurice de oficina comunitária, quem sabe né?

Álbum de fotos tiradas no lar Amani.

As borboletas nasceram para ser livres, qualquer tentativa de tentar prendê-las vai nos deixar tristes e fazê-las morrer.

Lista de ferramentas que seriam úteis em Amani:

  1. Caixa de ferramentas de madeira
  2. Chaves de fenda e philips
  3. Chaves fixa e combinadas
  4. Arco de serra + serra para aço 24TPI
  5. Esquadro
  6. Lápis
  7. Martelo unha
  8. Paquímetro de madeira e trena
  9. Formão 1″
  10. Furadeira de bancada
  11. Furadeira de mão.
  12. Plaina

Um crocodilo, uma garça, hipopótamos e patos podem ser amigos e descansar juntos numa tarde ensolarada.

História da borboleta com fotos Parte 2-3 (evolução da ideia)

Esta é uma história que quero contar à minha família, aos amigos distantes, do dia a dia, aos contatos profissionais, aos setores de bolsa de estudo de universidades, às pessoas recém conhecidas, aos italianos, aos holandeses e aos quenianos que fiz amizade, acima de tudo, aqueles que querem saber como a borboleta surgiu e se transformou,  com uma liguagem só, adequada para todos.

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Após o segundo protótipo, deixamos de pagar para os outros fazerem e comecei a procurar meus meios, trabalhei por dois meses numa fábrica de bicicleta para aprender a operar máquinas e fiz um curso de soldagem por eletrodo revestido, após isso contei com ajuda do pessoal do Baja da Poli da USP para fazer as curvas da lateral do 3° protótipo que foi quase todo feito no porão de minha antiga casa na Rua Cônego Manuel Vaz.

Note o uso do nível para o assento e o uso alternativo do macaco que ergue carros

Percebi que as duas peças que compõem a cadeira dobrável que havia colocado sobre a plataforma do protótipo 2 poderiam ser usadas para compôr a própria plataforma (estas peças chamo de traves).

Plataforma grande (as duas traves deitadas)

Descobri que poderia formar um compartimento para cargas com as traves fixadas relativamente na vertical e que sem elas teria uma plataforma pequena, descobri também que seria vantajoso ter um reboque que pudesse ter seu comprimento ajustado.

Compartimento de carga

Plataforma pequena (sem traves) e detalhe para os tudos centrais um dentro do outro para ajuste do comprimento

Um detalhe: em relação ao protótipo #2, foi simplificado o sistema de tração que ficava a disposição do passageiro, apenas uma das rodas passou a ser tracionada, o sistema com “diferencial” foi deixado de lado.

Estes dois protótipos que foram feitos, o de no. 2 e 3, deram uma esperança ao projeto pois passei a ver a borboleta como um reboque útil para carregamento de um passageiro ou cargas, cargas longas com as traves deitadas, curtas (sem as traves) ou soltas, então depositei uma patente chamada “Reboque Dobrável para Bicicleta” e com ajuda de minha prima Roberta e da tia Tétta uma chamada “Foldable bicycle trailer” em terrítório europeu.

Desenho em papel vegetal A3 a ser reduzido.

PAUSA PARA ESTICAR AS PERNAS E TOMAR UM CAFÉ~

Após o 3° protótipo comecei a me apaixonar por simplificar o desenho do reboque, passava dias e noites pensando em como simplificar a borboleta, decidi começar a usar a fixação pelo canote para permitir que fosse facilmente usada como carrinho de mão, e a plataforma mudou também, havendo mais junções com curvas do que com soldas.

4° protótipo:

Família encenando para a foto, ao fundo o banco que inspirou a borboleta

Computador ajuda muito.

O protótipo 5.

Fiz um novo protótipo em que passei a priorizar o transporte de cargas ao de passageiro (a estrutura em X não tem mais enconsto para o passageiro), não é possível mais auxiliar com o pedal, e as rodas pequenas permitiam que cargas largas fossem colocadas sobre a plataforma.

Documento de apresentação do conceito ao concurso ABDC 2010-11 no qual a borboleta foi vencedora, essas rodas pequenas foram substituídas por outras um pouco maiores para facilitar a transposição de obstáculos.

História da borboleta com fotos Parte 1/3 (Tendo a ideia)

Esta é uma história que quero contar à minha família, aos amigos distantes, do dia a dia, aos contatos profissionais, aos setores de bolsa de estudo de universidades, às pessoas recém conhecidas, aos italianos, aos holandeses e aos quenianos que fiz amizade, acima de tudo, aqueles que querem saber como a borboleta surgiu e se transformou,  com uma liguagem só, adequada para todos.

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Em agosto de 2006 vi uma foto que me fez deixar o estágio que fazia durante o curso de tecnologia mecânica em projetos depois de 2 semanas e começar a desenhar algo chamado bici-taxi, o estágio não era tão importante assim para aquilo que queria fazer que era projetar:

Provavelmente em Bogotá

Pensei sobre o uso de triciclos e cheguei a conclusão que havendo a necessidade de carregar cargas com a bicicleta que excedessem a capacidade dos bagageiros as pessoas prefeririam um reboque que pudesse ser acoplado a bicicleta no momento da necessidade a um triciclo de carga que dentre outras coisas custaria mais caro, ocuparia mais espaço e seria incoveniente de se transitar vazio, portanto resolvi fazer um reboque que pudesse ser retirado da bike a qualquer instante deixando-a livre e leve para passeios.

Há a vantagem de se poderem possuir quantos engates (pequena peça que fica na bicicleta para receber o reboque) quiserem, para que os membros de uma família ou grupo de amigos compartilhem o reboque.

1° protótipo:

Primeiro reboque saiu depois de uma longa e pouco útil reflexão que me levou a usar um sistema de inclinação complexo que seria abandonado na primeira volta,  (out. de 2008):

Na frente da serralheria do Carlão que fez (quase) tudo

Antes do primeiro protótipo:

Mas antes de fazer o primeiro protótipo pensei em ideias que decidi não contruir:

primeiros rascunhos, ainda um triciclo

Este modelo abaixo foi o primeiro que desenhei, ele que deu origem ao nome borboleta, pois esta “capsula” que se vê poderia ser inclinada para trás ou deitada e a sobreposição dessas configurações dava a impressão de uma borboleta, meu pai concordou e foi dado o nome!Fiz “pesquisas de mercado” com os amigos da faculdade antes de fazer a primeira versão em 2008.

segurança em primeiro lugar

Este desenho me fez fazer muitas contas e aprender um pouco sobre o MatLab (programa sofisticado para calculos sofisticados de matemática para aplicações complexas, não era o caso, perdi tempo)

"Modelo de partes rosqueadas" cada membro da cadeira seria rosqueado

Voltando para a vida prática, na época da contrução do primeiro prot. decidi que queria registrar a ideia de um reboque para bicicleta, uma foto dessa patente chamada “Reboque para Bicicletas”:

aprendi muito sobre leis de patente e textos técnicos, aqui dá para se ter uma ideia das configurações que a "cápsula" poderia assumir.

Eu depositei a patente sem antes pesquisar nos bancos de dados que hoje sei que estão na internet. Num belo dia resolvi pesquisar, e descobri que havia uma invenção semelhante. Fiquei triste por ter de abandonar a ideia e logo em seguida feliz pois, vi um banco no qual meu pai apoiava o pé na sala.

Um belo banco de madeira daqueles dobráveis que pescadores usam. Tive a ideia de colocar um desses sobre uma plataforma de um reboque para bicicleta.

E assim surgiu o 2° protótipo:

Sr. Osmar que ajudou muito e eu. Comecei a aprender com ele como trabalhar o aço.

Meu pai, Sr. Donato, ajudando a determinar os ângulos, maracujá atrás.

Fiz novos amigos, como o MIG, o João Lacerda e o Willian Cruz.

Inauguração da Ciclofaixa dos Parques na cidade de São Paulo 30-ago-2009

Amigos andando juntos.

De agora em diante a borboleta terá a mesma essencia e somente será simplificada e testada.

Agora com influências da Africa

Pessoal, a borboleta vem sofrendo algumas transformações drásticas, a espécie amarelinha que vocês vêem nas fotos e circulando aqui pelas ruas de SP ainda está disponível (com engate no canote),porém, há uma nova a ser apresentada, uma feita com tecnologia que aprendi no Quênia com a participação do Sr. Philip Olum e outros amigos, essa borboleta especial tem tudo para dar certo e será muito barata, sem modéstia já que conheço o preço e as funções oferecidas pelos reboques desse mundo.

Peço que esperem até janeiro de 2012 para verem a nova borboleta inspirada agora na prima queniana kipepeo.

A versão amarelinha será melhorada e continuará em produção pela Altmayer, para encomendá-la visite a aba “onde se vende”.

Logo logo publicarei a história da borboleta com fotos desde os modelos primitivos. Um abraço , ero kamano..

Uma das configurações serve para cargas longas ou uma pessoa em caso de emergência. One configuration serves to long loads or a person in case of emmergency.